GEOGRAFIA DE MATO GROSSO ATUAL

Não se pode compreender o Mato Grosso atual sem considerar duas variáveis:
·         a construção de Brasília, nos anos 1960, e os reflexos da filosofia do presidente Juscelino Kubitscheck de interiorizar o Brasil, expandindo o desenvolvimento e a nacionalidade, confinados, historicamente, no litoral. De Brasília partiram os grandes eixos rodoviários e os conceitos políticos concebidos para interiorizar o Centro-Oeste e a Amazônia.
·         A segunda variável foi, na década de 1970, a filosofia estratégica dos governos militares de integrar o Centro-Oeste à Amazônia, complementando a expansão de Brasília.
Na retaguarda desse novo avanço havia algumas circunstâncias especiais. Uma delas, os problemas sociais, no Rio Grande do Sul, que atingiam descendentes dos imigrantes europeus, que vieram para o Brasil no final do século XIX e começo do século XX.
O minifúndio, de 25 hectares, recebido na chegada, foi dividido, sucessivamente, entre os descendentes e, já na década de 30 do século XX, os filhos migravam para Santa Catarina, Paraná e para o Sul de Mato Grosso. Mas a segunda geração remanescente no Rio Grande tornara-se um problema social, acampada na entrada de Porto Alegre, expulsa de terras indígenas, que invadiram alguns anos antes. Esses descendentes, ao lado dos cafeicultores atingidos pelas geadas de 1974/75 no Paraná, aumentavam a crise social no Sul do Brasil, cuja economia era a referência nacional.
Esses dois fatos, somados à visão estratégica de ocupar a Amazônia, levaram o governo do presidente Emílio Garrastazu Médici (1971- 1975) a criar programas especiais de desenvolvimento, destinados a criar infra-estrutura nas regiões Sul e Norte de Mato Grosso. A idéia era preparar Mato Grosso para ser o “Portal da Amazônia”, e, a partir dele, ocupar o norte amazônico.
A doutrina manteve-se nos dois governos seguintes, até 1985. A política federal investiu nesses programas de desenvolvimento e, num segundo gesto, atraiu os descendentes dos imigrantes, os cafeicultores e brasileiros de todas as regiões para Mato Grosso, Rondônia e Sul do Pará. Mas Mato Grosso foi, realmente, o “Portal da Amazônia”.
·         Para apoiar a ocupação, o governo federal, através do Programa de Integração Nacional – PIN, pavimentou as rodovias BR-163 e 364, ligando Cuiabá a Goiânia e a Campo Grande, com extensão à malha rodoviária nacional.
·         Criou a Universidade Federal de Mato Grosso e estendeu linhões de energia elétrica a partir de Cachoeira Dourada, em Goiás. Como último gesto para fortalecer o “Portal da Amazônia”, o governo federal dividiu Mato Grosso em 1977, separando Mato Grosso do Sul, desmembrado em 1° de janeiro de 1979, já que a região Sul tinha melhor infra-estrutura e melhor posição geográfica em relação ao Sul e Sudeste.
Nos anos 1970, a população de Mato Grosso se elevou de 599 mil para 1.038 milhão em 1980, 2.027 milhões em 1991, 2.235 milhões em 1996, 2,504 milhões em 2000 e 2.803 milhões de habitantes em 2005. Na esteira da evolução demográfica, os 38 municípios de 1979 multiplicaram-se para 141 em 2006.
Multiplicaram-se também as fontes da economia, com ampliação da pecuária, da agricultura, da madeira, da indústria, do comércio e dos serviços, na inevitável cascata do desenvolvimento econômico. A pecuária, antes restrita ao Pantanal, ganhou as terras altas cultivadas dos cerrados e avizinhou-se da agricultura. Desenvolveram-se ambas em escala surpreendente.
Por fim, Mato Grosso fez severa frente ao Centro-Oeste. O PIB da agropecuária saltou de menos de 1% em relação ao PIB nacional em 1970, para 2,45% em 1998 e 4,9% em 2003. Evidente que o crescimento econômico gerou demandas a serem superadas. Entre elas, a infra-estrutura viária para suportar a logística das novas exigências produtivas.
Na esteira social, questões como saúde, educação, IDH, emprego e renda, habitação, segurança, tomaram vulto em escala geométrica. O estágio atual indica, para o futuro de curto, médio e longo prazos, o desafio da construção de um novo ciclo, que agregue todas as variáveis econômicas e sociais construídas nesses 36 anos, contados a partir de 1970.
Os números de Mato Grosso são mais desafiadores do que consoladores. A visão do mundo globalizado pede inserções muito sólidas e pragmáticas da produção econômica. Barreiras fiscais, sanitárias, ambientais, qualidade e competitividade, desafiam subsídios dos países ricos, requerem novas visões estratégicas. No lugar do pioneirismo surgido com Brasília e já consolidado, os tempos atuais exigem gestão globalizada de produção e de produtos e a construção de tecnologias específicas, capazes de atender à competitividade cruel dos mercados internacionais. Esta edição de “Mato Grosso em Números – 2006” é uma radiografia do patamar, a partir do qual os patamares futuros devem se construídos. 
Onofre Ribeiro Jornalista
  
1.1- Localização e extensão:
O Estado de Mato Grosso faz parte da Região Centro-Oeste do Brasil, localizado na parte sul do continente americano. Possui superfície de 903.357,91km2, limita-se ao Norte com os Estado do Pará e Amazonas, ao Sul com Mato Grosso do Sul, a Leste com Goiás e Tocantins e a Oeste com Rondônia e Bolívia.
1.2- Fuso Horário
Devido à grande extensão Leste-Oeste, o território brasileiro abrange três fusos horários (a partir de julho de 2008) situados a Oeste de Greenwich. O Estado de Mato Grosso abrange um fuso horário (o fuso quatro negativo), correspondendo ao quarto fuso horário. Apresenta, portanto, 3 horas a menos, tendo como referência Londres, o horário GMT (Greenwich Meridian Time).
2.0- Organização Político-administrativa
Atualmente a divisão político-administrativa de Mato Grosso apresenta o seguinte aspecto:
·         142 municípios;
·         22 microrregiões  político-administrativas;
·         5 mesorregiões definidas pelo IBGE.
·         Em 2001, através de estudos produzidos pela SEPLAN/MT, foi realizada uma nova regionalização do Estado e foram definidas 12 Regiões de Planejamento.
·         Atualmente Mato Grosso possui 75 terras indígenas;
·         19 unidades de conservação federais;
·         42 estaduais;
·         44 municipais distribuídas entre reservas, parques, bosques, estações ecológicas e RPPN
3.0- Aspectos Físico
3.1Relevo
Pela classificação de Ross (1996), descrita por Vasconcelos (2005), o relevo do Estado de Mato Grosso apresenta três tipos de unidades geomorfológicas que refletem suas gêneses:
1.     os planaltos;
2.     as depressões
3.     planícies,
Os planaltos foram identificados em três grandes categorias: planaltos em bacias sedimentares, em intrusões e coberturas residuais de plataforma e em cinturões orogênicos; as depressões e as planícies foram identificadas conforme denominações geográficas regionais.
·         Planaltos em bacias sedimentares – Os Planaltos em bacias sedimentares são quase inteiramente circundados por depressões marginais. Essas unidades também se caracterizam por apresentar nos contatos relevos escarpados em relação às depressões que os circundam, ou estão embutidas em seu interior.
Em Mato Grosso, foram identificados o Planalto e Chapada dos Parecis, o Planalto e Chapada dos Guimarães e o Planalto dos Alcantilados-Alto Araguaia. Esses planaltos integram o planalto central brasileiro, onde ocorreu extensiva substituição da cobertura vegetal original de cerrados pela agricultura tecnificada, com elevada especialização produtiva e predominância do cultivo de grãos nos chapadões.
As bordas das Chapadas caracterizam-se pela beleza cênica da paisagem, com alto potencial para o turismo. Planaltos em intrusões e coberturas residuais de plataforma – Estas unidades não se constituem exclusivamente por coberturas sedimentares residuais de diversos ciclos erosivos, mas também por um pontilhado de serras e morros isolados, associados às intrusões graníticas, derrames vulcânicos antigos e de dobramentos com ou sem metamorfismo, todas formações datadas do Pré-Cambriano Inferior a Superior.
Esta unidade em Mato Grosso foi sub-compartimentada em Planaltos e Serras Residuais do Norte de Mato Grosso e Planaltos e Serras Residuais do Guaporé-Jauru.
1.   Planaltos em cinturões orogênicos – Os planaltos que ocorrem nas faixas de orogenia ou dobramentos antigos correspondem aos relevos residuais sustentados por diversos tipos de rochas, quase sempre metamórficas associadas a intrusivas. Em Mato Grosso essas áreas correspondem às estruturas dobradas do cinturão Paraguai-Araguaia, que formam inúmeras serras associadas aos residuais de estruturas dobradas intensamente atacados por processos erosivos, sob a denominação de Província Serrana/Serras Residuais do Alto Paraguai, incluindo também o Planalto do Arruda-Mutum e o Planalto de São Vicente.
2.   Depressões periféricas e marginais – As depressões no território brasileiro têm uma característica genética muito marcante que é o fato de terem sido geradas por processos erosivos com atuação acentuada nos contatos das bordas das bacias sedimentares com maciços antigos. As atividades erosivas com alternâncias de ciclos úmidos e secos esculpiram, ao longo do Terciário e Quaternário, as depressões periféricas, as marginais e as monoclinais, que aparecem circundando as bordas das bacias e se interpondo entre estas e os maciços antigos do cristalino.
3.   Planícies – Os relevos que se enquadram nas Planícies no Estado de Mato Grosso, correspondem às áreas essencialmente planas, geradas por deposição fluvial de sedimentos recentes. São áreas, portanto, onde atualmente predominam os processos agradacionais associados aos depósitos recentes do Quaternário, principalmente do Holoceno.
Em Mato Grosso foram identificadas três grandes unidades de planícies e pantanais:
·         Planície e Pantanal
·         do Rio Guaporé,
·         Planície e Pantanal do Rio Paraguai
·         Planície do Rio Araguaia
Em Mato Grosso, foram identificadas as depressões:
·         do Norte de Mato Grosso;
·         do Guaporé;
·         do Araguaia;
·         do Alto Paraguai;
·         a Cuiabana;
·         Depressão Interplanáltica de Paranatinga.
Solos
O Estado de Mato Grosso possui ambientes naturais diversificados, o que reflete a heterogeneidade de suas coberturas pedológicas. Destacam-se, em extensão, as classes de solos:
·         latossolo vermelho-amarelo e latossolo vermelho-escuro, com aproximadamente 366.389,81km2;
·         podzólicos vermelho–amarelos, em torno de 216.286,72km2;
·         areias quartzosas com 116.202,38km2, todos em caráter de dominância.
Os latossolos e podzólicos, em relevos plano e suave ondulados sob Cerrados e Florestas, são predominantemente ácidos e de baixa fertilidade, necessitando correção com calcário e adubação química, para uso agropecuário. Os latossolos que se estendem na parte centro-sul do Estado sobre planaltos e chapadas, possuem condições físicas excelentes para agricultura mecanizada.
Os podzólicos sob florestas, distribuídos na parte norte do Estado, merecem cuidados especiais, em função do regime climático (a maioria sob clima equatorial), menor profundidade efetiva, presença de cascalhos, pedregosidade e gradiente textural, que os tornam mais susceptíveis a processos erosivos.
Os solos de areias quartzosas, com baixa retenção de umidade e nutrientes aplicados, podem ser utilizados para preservação, culturas adaptadas, pastagens nativas e reflorestamentos.
Destacam-se, pela fertilidade mais elevada, os podzólicos vermelho-escuros e terras roxas estruturadas, em pequena
áreas no embasamento cristalino, ao norte do Estado. No sudeste, como dominantes, perfazem um total de 1.282,66km2, distribuídos em relevo suave ondulado a ondulado, o que os torna susceptíveis a processos erosivos.
No Planalto de Tapirapuã destacam-se os latossolos roxos em 1.576,34km2. Outras classes de solos ocorrem em menor extensão, dentre elas, cambissolos, solos litólicos, planossolos e solos concrecionários, todos com baixa fertilidade natural.
3.2- Clima
O Estado de Mato Grosso possui clima tipicamente continental, com duas estações bem-definidas:
·         Verão chuvoso
·         Inverno seca.
A variação das médias de temperaturas deve-se principalmente a dois fatores:
·         ampla extensão do território no sentido norte-sul;
·         localização no interior do continente, com reduzida influência marítima;
·         baixa amplitude térmica.
Assim, no extremo norte, a temperatura média anual é mais alta, em torno de 26º C, enquanto no extremo sul essa média é de 22ºC. As variações de temperatura ao longo de um dia podem ser grandes, apenas quando há penetração de massa de ar fria de origem polar, durante o inverno, principalmente nos meses de junho e julho.
O regime de chuvas é tipicamente tropical continental:
·         Estação chuvosa vai de outubro a março (primavera e verão);
·         Estação seca começa em abril e termina em setembro (outono e inverno).
As médias anuais de chuva variam de 1.250 a 2.750mm. Na região norte do Estado chove mais de 2.000mm por ano e menos de 1.200mm no Pantanal.
Predominam dois tipos de clima: equatorial e tropical continental.
·         O clima equatorial no norte do Estado caracteriza-se pela ocorrência de chuvas intensas, com temperaturas elevadas durante os doze meses do ano. Sofre influência da massa equatorial continental, com altas temperaturas, baixas pressões atmosféricas, forte evaporação e, conseqüentemente, intensas precipitações.(chuvas).
·         O clima tropical continental, com duas estações bem-definidas, uma chuvosa e outra seca, também sofre influência da massa equatorial continental, mas apenas no verão. No inverno, essa massa permanece estacionária sobre a Região Norte do Brasil.
·         No inverno, a massa tropical Continental  avança e se instala sobre o Centro-Oeste, quase sem umidade. Tendo altas pressões, impede a chegada de ventos úmidos, ocasionando a estiagem. Eventuais chuvas podem ocorrer, devido à penetração da massa polar atlântica.
3.3-Hidrografia
O Estado de Mato Grosso destaca-se no cenário nacional, sendo o divisor de águas que abriga as nascentes de rios formadores das três grandes bacias hidrográficas do país: bacias Amazônica, do Paraná e Tocantins. Os rios matogrossenses que integram a Bacia Amazônica drenam a porção norte do Estado, onde o escoamento das águas desses rios se faz com rapidez, à medida que se dirigem para a Planície Amazônica, onde destacam-se os rios:
·         Juruena
·         Teles
·         Pires, Arinos
·         Aripuanã
·         Roosevelt
·         Xingu.
Na Bacia do Tocantins destaca-se o rio Araguaia, com sua nascente no extremo sul do Estado correndo para o norte. A leste de Mato Grosso define o seu limite com o Estado de Goiás e Tocantins. Seus principais afluentes:
·         rios das Mortes,
·         das Garças,
·         Cristalino
·         Xavante.
Na Bacia do Paraná figura a rede de afluentes do rio Paraguai, drenando a porção sul e sudeste do Estado. Os rios integrantes deste sistema caracterizam-se por possuir escoamento lento, correndo sobre aluviões recentes. O rio Paraguai é navegável na maior parte do seu curso, e seus principais afluentes são os rios
·         Jauru,
·         Cabaçal,
·         Sepotuba
·         Cuiabá
Este ultimo, corta a cidade de Cuiabá, capital do Estado, sendo um dos principais rios tributários do Pantanal Mato-Grossense.
Várias cachoeiras são encontradas na rede hidrográfica do Estado, destacando-se:
·         cachoeiras do Véu de Noiva (Chapada dos Guimarães)
·         da Fumaça, (Jaciara)
·         o Salto dos Dardanellos ( Aripuanã )
Também merece destaque a represa do Rio Manso, localizada a 60km de Cuiabá, onde se encontra a Usina Hidrelétrica do Rio Manso, de grande potencial turístico para esportes náuticos, assim como as baías:
·         de Chacororé,
·         Siá-Mariana,
·         Uberaba
·         Guariba.
O Estado é rico em recursos hídricos,  mas a navegabilidade dos seus rios é pouco utilizada. Destacam-se trechos dos rios:
·         Paraguai, (Hidrovia Paraguai-Paraná )
·         Guaporé,
·         Juruena,
·         Araguaia  (Hidrovia Tocantins-Araguaia)                 rio das Mortes,
3.4- Vegetação
A vegetação do Estado de Mato Grosso encontra-se inserida nos Biomas e/ou Domínios dos Cerrados e das Florestas, citados pela SEPLAN/CNEC (2002), definidos por Ab’Saber (1977). A fisionomia vegetal predominante no bioma do Cerrado é constituída por bosques abertos, com árvores contorcidas e grossas de pequena altura (entre 8 e 12m); um estrato arbustivo e outro herbáceo, onde predominam gramíneas e leguminosas.
Em função de peculiaridades edáficas, topográficas e climáticas desse bioma, distinguem-se os tipos mais relevantes no Estado, segundo os estudos desenvolvidos pela SEPLAN/CNEC (2002), a saber:
·         Campo Cerrado (Savana Parque) – Fisionomicamente prevalece o componente herbáceo e arbustivo, com indivíduos arbóreos presentes de forma esparsa, compondo uma das expressões campestres da savana, denominada também “Campo Cerrado”. Apresenta uma composição florística diversificada. Os componentes arbustivo e arbóreo (com altura entre 1 a 2m) constituem-se de plantas características da Savana Arborizada.
·         Cerrado Propriamente Dito (Savana Arborizada) – É caracterizada por um tapete gramíneo lenhoso contínuo e pela presença de espécies arbóreas de troncos e galhos retorcidos, casca espessa (às vezes suberosa), folhas grandes (podendo ser grossas, coriáceas e ásperas). Variações fisionômicas e estruturais, decorrentes geralmente de características pedológicas diferenciadas e de perturbações antropogênicas, expressam-se pela distribuição espacial irregular de indivíduos, ora com adensamento do estrato arbustivo-arbóreo, ora com predomínio do componente herbáceo. A altura varia entre 2m e 7m.
·         Cerradão (Savana Florestada) Fisionomicamente é descrito como a expressão florestal das formações savânicas. As árvores que constituem o dossel possuem troncos geralmente grossos, com espesso ritidoma, porém sem a marcante tortuosidade observada nas savanas. A estratificação é simples, e o componente arbóreo é perenifólio. Não há um estrato arbustivo nítido, e o estrato graminoso é entremeado de espécies lenhosas de pequeno porte. Atinge altura em torno de 15m, podendo chegar a 18m. A composição florística do Cerradão é geralmente diversificada, contendo espécies das expressões mais abertas das Savanas, que assumem hábito arbóreo, e da Floresta Estacional, raramente presente em outras fisionomias savânicas. Ainda como característica desse Bioma tem-se a presença das
·         Florestas de Galeria (ou matas ciliares), que começam, em geral, nos pequenos pântanos dos nascedouros dos ribeirões, sob a forma de alamedas (veredas) de buritis (Mauritia.sp). Estas florestas, ao longo dos cursos d’água, vão progressivamente adquirindo outras espécies arbóreas, encorpando e ocupando gradualmente as “rampas” dos interflúvios. Quando as matas ciliares se fundem no interflúvio, considera-se o fim da área nuclear do Domínio dos Cerrados.
·         O Bioma das Florestas caracteriza-se pelas florestas: Ombrófila e Estacional. Com relação à Floresta Ombrófila, sua maior expressão encontra-se no extremo Noroeste do Estado. Fisionomicamente representa uma formação florestal pluriestratificada, de grande porte, com dossel de 20 a 30m de altura e emergentes que atingem até 45m. Predominam espécies perenifólias. Epífitas são muito freqüentes, assim como lianas e plantas escandentes. A Floresta Estacional tem ocorrência associada à estacionalidade climática e a solos geralmente mais férteis do que aqueles observados nas Savanas. Entre estes dois Biomas, encontra-se a faixa de contatos – as chamadas áreas de transição (ou de tensão ecológica) que se concentram, sobretudo, na faixa compreendida entre os paralelos 10º00’ e 14º00’S. Constitui-se em comunidades indiferenciadas, entre dois ou mais tipos de vegetação, que podem interpenetrar-se ou confundir-se. O primeiro corresponde aos encraves (mosaico de áreas edáficas), onde a vegetação preserva sua identidade ecológica sem se misturar. O segundo caso é constituído pelos ecótonos (mosaico específico), onde os diferentes tipos de vegetação se misturam, e a identidade ecológica é dada pela composição específica resultante.
Complexo do Pantanal, considerado como um caso particular de área ou faixa de transição entre os Domínios dos Cerrados e o do Chaco Central, também definido por Ab’Saber (1977). Fitogeograficamente, segundo Adámoli (1984), citado pela SEPLAN/CNEC (2002), a região do Pantanal foi considerada como “ […] um Carrefour fitogeográfico de primeira linha, no qual convergem quatro das principais províncias fitogeográficas da América do Sul: Amazônia, Cerrados, Florestas Meridionais e Chaquenha […]”. Os ciclos de cheias e vazantes criam condições e pressões peculiares, que resultam em uma alta complexidade